Exposição Capilaridade de Virna Santolia

Exposição Capilaridade de Virna Santolia

Capilaridade | Virna Santolia

Sobre o autor

Virna Santolia atua do mercado de fotografia publicitária e editorial há mais de 20 anos, é conhecida por seus trabalhos nas áreas de moda, beleza, gastronomia e produtos. Mesmo graduada em Economia pela UFRJ. É pós-graduada em Fotografia & Imagem pela UCAM/IUPERJ.

Texto crítico

A série CAPILARIDADE, de Virna Santolia, partiu de um recorte do acervo de mais de 500 fotografias de seu trabalho profissional. São fotografias do passo a passo de revistas especializadas em beleza e bulas de produtos. Fotos, a priori, técnicas, entretanto apropriadas em um processo artístico de escavação e ressignificação.

O mergulho nesta coleção de fotografias, na qual as modelos são apresentadas sempre de costas, tendo o cabelo como protagonista do enredo visual, nos sugere algumas reflexões, bem como nos remete a referências subjetivas, como o trabalho do fotógrafo nigeriano J.D. Okhai Ojeikere e as Irmãs Xifópagas de Tunga.

Ao desvelar o processo de busca da beleza idealizada – verdadeiro regime imposto às mulheres numa sociedade que normatiza padrões ligados à cultura eurocêntrica –, esta série provoca o descentramento de nosso olhar, propondo outras possibilidades para pensar o conceito de belo e um questionamento acerca dos meios empregados pela mídia e pelas instituições para introjetar nos corpos e sujeitos certas prerrogativas de comportamento e crenças. Em tempos radicais, como o que vivemos, não deixa de ser um gesto de ordem micropolítica.

Na fotografia publicitária – ilustração do mundo do consumo –, as imagens finais são o objetivo em si, buscam a perfeição, são determinadas e planares. No entanto, nesta série, mesmo tomando partido de um código publicitário, o foco é direcionado para o processo, o “entre”, sugerindo, nestas imagens, uma dimensão escultórica e provisória. O procedimento inventariante de Virna Santolia contém um desejo pelo que é relegado à margem, um certo fascínio pelo fragmento e pelo que é descartável que, ao ser deslocado de seu contexto de origem, areja o campo do retrato fotográfico.

Marcos Bonisson e Patricia Gouvêa

Feira Oriente na Villa Aymoré

Feira Oriente na Villa Aymoré

A FEIRA FOTOARTE AGORA TEM NOVO NOME: FEIRA ORIENTE!

Ela vai ocorrer entre 29 de novembro e 2 de dezembro de 2018 na Villa Aymoré – Glória – RJ e você pode ser um(a) do(a)s artistas participantes.

Idealizada e realizada pelo Ateliê Oriente, em parceria com a Villa Aymoré, a Feira Oriente de Artes Visuais é pensada como um espaço para os artistas exporem e comercializarem os seus trabalhos sem intermediários, ou seja, diretamente com os compradores.

Participarão de 40 a 50 artistas, selecionados por uma Comissão de Seleção formada por José Octavio Montesanti, colecionador e fundador da Galeria Montessanti; Luciana Solano, curadora independente; Mariah Rafaela Silva, Mestre em ciências humanas e Vicente de Mello, fotógrafo e artista. Além disso, a Comissão irá premiar um (a) artista participante com um voucher no valor de R$500 (sem reembolso), com validade de 6 meses, para ser utilizado pelo premiado ou transferível, para qualquer curso ou workshop no Ateliê Oriente.

As inscrições possuem uma taxa de R$120,00 e devem ser feitas online nesta página, no botão abaixo (“Quero me inscrever”). O pagamento da taxa de inscrição não garante a participação do artista, visto que haverá uma Comissão de Seleção e Premiação para avaliar e selecionar os participantes.

As inscrições estão abertas do dia 12 de outubro até 12 de novembro de 2017, às 23:59 (horário de Brasília).

Mais informações : http://www.atelieoriente.com/feiraoriente/

 

Exposição – Projeto Identidades – Galeria Aliança Francesa – RJ

Exposição – Projeto Identidades – Galeria Aliança Francesa – RJ

CONVIDAMOS VOCÊ PARA A ABERTURA DA EXPOSIÇÃO
Projeto Identidades – 2ª edição

Curadoria: Osvaldo Carvalho

25 de outubro  •  Galeria Aliança Francesa

  17h Mesa redonda    18h Abertura 

Rua Muniz Barreto, 746, Botafogo, RJ

 

A Galeria Aliança Francesa inaugura quinta-feira, dia 25, “Projeto Identidades – 2ª edição”, exposição que apresenta cerca de 25 obras de 17 artistas e oferece ao público uma reflexão sobre a extensa gama de entendimentos que a identidade suscita em cada um de nós. Sob a curadoria do artista plástico e curador Osvaldo Carvalho, a exposição traz obras de Ana Paula Albé, Benoit Fournier, Eduardo Mariz & Osvaldo Carvalho, Fábio Carvalho, Gabriela Massote, Gian Shimada, Isabel Löfgren & Patricia Gouvêa, Marcelo Carrera, Mayra Rodrigues, Mayra Rodrigues, Paulo Jorge Gonçalves, Raimundo Rodriguez, Rogério Reis, Vincent Catala e Vincent Rosenblatt. O evento tem início às 17h, com mesa redonda com o curador e artistas participantes. 

Com a montagem desse projeto percebemos a extensa gama de entendimentos que a identidade suscita em cada um de nós. Nessa edição os trabalhos apresentados afinam o espectro poético visual que foi anunciado na edição anterior – como me vejo e como sou visto ainda é recorrente; contudo, ver o outro com sensibilidade cívica revela-se uma necessidade premente, urgência primeira frente a discursos de ódio e intolerância sociais. A identidade pode ser a construção legal, histórica ou sociológica do ser, mas também é a medida pela qual cogitamos nossa própria existência.

 

 

Exposição – Mãe Preta  de  Isabel Löfgren e Patricia Gouvêa

Exposição – Mãe Preta de Isabel Löfgren e Patricia Gouvêa

Vênus da Gamoa #2 (2016), interferência sobre livros com imagens de August Stahl ca. 1885 (Foto: Divulgação)

 

SÃO PAULO

Exposição – Mãe Preta


Exposição concebida por Isabel Löfgren e Patricia Gouvêa, de 5/10 a 25/11, Galeria Mario Schenberg, Funarte, Alameda Nothmann, 1058 | maepreta.net

exposição Mãe Preta foi idealizada pelas artistas Isabel Löfgren e Patricia Gouvêa e recebeu o Prêmio Funarte Conexão Circulação Artes Visuais de 2016. A partir de releituras de imagens e arquivos do período escravocrata, a exposição investiga os elos e ressonâncias entre a condição social da maternidade durante a escravidão e as vozes de mulheres e mães negras na atualidade.

 

Idealizada pelas artistas visuais Isabel Löfgren e Patricia Gouvêa, a mostra reúne vídeos, fotografias, instalações e contará com performance de Glauce Pimenta Rosa e Jessica Castro na abertura, oficina com Jarid Arraes e lançamento de catálogo com textos de Lilia Moritz Schwarcz, Martina Ahlert, Qiana Mestrich, Temi Odumosu, Alex Castro e Júlio César Medeiros da Silva Pereira

As conhecidas imagens das amas-de-leite negras, registradas desde meados do século 19 ao início do século 20, são o ponto de partida da pesquisa das artistas Isabel Löfgren e Patricia Gouvêa para a realização da exposição“Mãe Preta”, que recebeu o Prêmio Funarte Conexão Circulação Artes Visuais de 2016. Após grande sucesso de público e crítica no Rio de Janeiro, em 2016, quando foi exibida na Galeria Pretos Novos de Arte Contemporânea (dentro do Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos, na capital fluminense), com cerca de 2 mil visitantes, e também em Belo Horizonte,em 2017, no Palácio das Artes, a exposição chega a São Paulo, na Galeria Mario Schenberg, da Funarte. A abertura ocorre em 4 de outubro e seguirá em cartaz até 25 de novembro, reunindo fotografias, vídeos, instalações, performance e literatura.

O projeto surgiu de uma pesquisa artística de Isabel e Patricia, iniciada em 2015, que busca, visto que é um trabalho em constante progressão, traçar os elos e as ressonâncias entre a condição social da maternidade durante a escravidão por meio de releituras de imagens e arquivos do período, o desaparecimento da história escravocrata na malha urbana das cidades brasileiras e as vozes de mulheres e mães negras na contemporaneidade. O intuito da mostra é discutir a questão da memória da escravidão e o legado da mulher negra na formação da sociedade brasileira dentro da história visual do país.

“A exposição objetiva contrapor a representação romantizada das “mães pretas” e da maternidade em arquivos históricos do período escravocrata ao protagonismo real e crescente exercido pelas mães negras de hoje. Iniciamos este projeto dentro de um contexto histórico com as escavações arqueológicas e a memorialização da escravidão da região portuária do Rio de Janeiro nos últimos anos. À medida que foram se revelando diversos achados, começamos a buscar elementos que se articulassem com o papel da mulher negra – focando na sua função dupla como mãe de seus próprios filhos e como amas-de-leite de crianças brancas – na formação social da cidade. Essas vidas, marcadas pelo terror da separação e mesmo morte de seus filhos em prol da criação dos filhos de outrem, deixaram marcas indeléveis como uma das grandes injustiças da história do Brasil e de toda a sociedade escravocrata. Com a exposição propomos como reflexão as lacunas históricas em relação ao papel fundamental da maternidade tal como exercido pela mulher negra na nossa história urbana, social e visual, buscando pontos de inflexão com as lutas na sociedade contemporânea”, afirma Isabel.

Inédita em São Paulo, a exposição – que ainda seguirá para São Luís, no Maranhão, em dezembro – inclui o lançamento de um catálogo com contribuições de nomes nacionais e internacionais, como a antropóloga e curadora-adjunta para histórias e narrativas no Masp, Lilia Moritz Schwarcz (USP); a antropóloga e pesquisadora Martina Ahlert (UFMA); o escritor Alex Castro; o historiador e diretor do Núcleo de Estudos e Pesquisa do Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos, Júlio César Medeiros da Silva Pereira (UFF); a historiadora da arte, educadora criativa e curadora britânico-nigeriana Temi Odumosu (Universidade. de Malmö – Suécia); e a fotógrafa, escritora e professora do ICP-Bard (EUA), a norte-americana Qiana Mestrich.

 

Um dos pontos altos da exposição é a vídeo-instalação “Modos de Fala e Escuta” (com 27 minutos de duração), que reúne o depoimento de sete mães negras sobre maternidade, racismo, memória, ancestralidade, violência e lutas cotidianas. Nesse sentido, outro destaque da mostra é a obra “Mural das Heroínas”, com 20 retratos de líderes negras, desde Luísa Mahin, Tereza de Benguela e Nzinga de Angola às feministas Lélia Gonzalez e Beatriz do Nascimento, além de figuras políticas como Laudelina de Campos e Marielle Franco, entre outras, que simbolizam as conquistas sociais, a luta, a resistência, a voz e o lugar histórico da mulher negra no Brasil.

A exposição também conta, ainda, com a minibiblioteca Mãe Preta, que conta com publicações de autoras negras contemporânea se uma seção voltada para a literatura infanto-juvenil com títulos sobre protagonismo negro para consulta do público.

Dividida em oito séries, “Mãe Preta” apresenta instalações, colagens e intervenções em gravuras e fotografias, que, reunidas, propõem uma reinvenção poética da iconografia relacionada às mães pretas dentro de uma linguagem contemporânea tendo como ponto de partida imagens fotográficas do acervo do Instituto Moreira Salles, do Rio de Janeiro, e releituras de livros com gravuras de Jean-Baptiste Debret, Johan Moritz Rugendas e outros artistas. Isabel e Patricia criaram intervenções nessas imagens com objetos óticos, como lupas e lentes, que destacam a complexidade das relações das amas-de-leite com as crianças brancas de seus senhores e das mulheres escravizadas e seus próprios filhos dentro de contextos domésticos, urbanos e rurais.
“De tão conhecidas, estas imagens são vistas de forma superficial e contribuem para um olhar normalizado sobre a vida dessas mulheres que desempenharam um papel fundamental na formação da sociedade brasileira, mas que não revelam as histórias de violência sofridas por elas. Os trabalhos propõem uma nova forma de olhar essas imagens, de modo que a figura materna apareça no primeiro plano e não apenas como um detalhe da vida cotidiana e familiar nos tempos da escravidão”, explica Patricia.

Nesse sentido, marcas naturais do tempo em reproduções de negativos de Marc Ferrez e outros fotógrafos do século 19 são aproveitadas para simbolizar cicatrizes expostas em composições fotográficas em substituição a cópias perfeitas. A dupla também levantou, em jornais de época, anúncios sobre o aluguel de amas-de-leite, assim como artigos em publicações abolicionistas denunciando escândalos e abusos diretamente relacionados à questão das amas-de-leite no século 19, sobre os quais também intervêm com diversos objetos.

Para esta edição, as artistas fizeram uma imersão nos contextos específicos de São Paulo e São Luís, para onde a exposição viajará após a etapa paulistana. Na capital paulista, as artistas seguiram o debate sobre o apagamento da história negra da cidade e, no Maranhão, realizaram entrevistas com lideranças femininas dos Quilombos Santa Rosa dos Pretos e Santa Joana, que resultaram em obras inéditas que serão apreciadas pelo público.

O catálogo da exposição será lançado em 10 de novembro, na Galeria Funarte, em São Paulo. Na ocasião, haverá uma oficina gratuita com a escritora, poetisa e cordelista Jarid Arraes, cearense radicada em São Paulo e autora dacoletânea “Heroínas Negras Brasileiras em 15 Cordéis”, lançado pela Pólen Livros em 2017.

“Este projeto foi contemplado pelo Prêmio Funarte Conexão Circulação Artes Visuais – Galerias Funarte de Artes Visuais São Paulo / Maranhão / Chão SLZ

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