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Fine art

Resistência à Luz e Luz Ultravioleta – Impressão Fine Art

By 6 de agosto de 2024setembro 15th, 2025No Comments13 min read

Parece que não conseguimos escapar da morte, dos impostos e da luz UV. A elaboração deste texto  surge de um esforço para investigar  casos de desbotamento de cores em impressões de Fine Art no Brasil.

Nosso objetivo era entender como esses desbotamentos ocorrem globalmente, e ficamos surpresos ao descobrir que há menos casos relatados em outros países. A partir de um caso onde o desbotamento ocorreu ao longo de seis anos, enquanto nós observamos desbotamento acontecendo em apenas seis meses.

O texto reúne, portanto, algumas experiências sobre este tópico, que tem sido frequentemente discutido entre impressores Fine Art de todo o país. No entanto, essas informações valiosas muitas vezes se perdem com o tempo. Portanto, decidi compilá-las em um único texto para referência futura e fácil acesso para todos.

Como mencionado, este é um problema conhecido entre os impressores Fine Art brasileiros e, ainda que tenhamos solicitado posições formais aos fabricantes de papéis e impressoras, não há consenso sobre a problemática.

As principais hipóteses levantadas foram:

  1. O revestimento da tela tende a absorver e reter poluentes ambientais, o que pode aumentar a exposição dos pigmentos e levar à sua degradação. Idealmente, todos os materiais revestidos devem ser protegidos com vidro ou verniz para evitar esse problema.
  2. Pode haver um problema com os pigmentos, como um lote vencido que foi exportado para o Brasil.
  3. Alguns fabricantes de impressoras esclareceram que nunca tiveram a intenção de comercializar seus produtos para o mercado Fine Art. A crença na longevidade dessas impressões durando centenas de anos parece ser um equívoco ou uma lenda urbana.
  4. Fatores ambientais nos locais, como ar condicionado, ozônio, produtos químicos e alta exposição à luz, também podem contribuir para o problema.
  5. A exposição a muita luz UV é outro fator contribuidor.
  6. Estatisticamente, a maioria dos problemas foi observada com os Pigmentos Canon Lucia e a tela Canson, particularmente quando não protegidos por vidro ou verniz. Muitos acreditam que isso se deve ao fato de haver mais impressoras e papéis Canon em uso no Brasil.
  7. O desbotamento foi documentado com todas as principais marcas, incluindo HP, EPSON, CANON, CANSON e HFA, principalmente em casos onde as impressões não estavam protegidas por vidro.

Apesar desses desafios, a nova família de impressoras 4600 da Canon traz melhorias significativas. Eles introduziram um conjunto de tintas aprimorado, projetado especificamente para o mercado Fine Art, com maior resistência à luz, uma permanência reivindicada de 200 anos, maior resistência a arranhões e melhor densidade óptica do preto. A Canon incluiu uma ferramenta de calibração integrada. Com todas essas mudanças na nova tinta, podemos ver uma redução nesses casos de desbotamento; vamos ficar atentos e observar de forma positiva.

É importante definir expectativas realistas com os clientes sobre a longevidade das impressões Fine Art. Embora 300 anos de permanência possa ser ideal, é crucial entender que, sob certas condições, as cores podem começar a desbotar em seis meses.

Buscando evitar mal-entendidos e ajustar as expectativas de nossos clientes, além de compartilhar a responsabilidade pela permanência das impressões, incluímos em nossas propostas orçamentárias enviadas aos clientes algumas sugestões de práticas recomendadas para maior longevidade das impressões e também para evitar falsas expectativas de eternidade.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Além disso, fizemos um pequeno adesivo que colamos em todas as caixas, pastas e rolos das entregas finais de trabalho com o seguinte texto:

Cuidados com Impressões Fine Art

Para maior longevidade das impressões, recomendamos:

  • Evitar exposição à luz solar, direta ou indireta;
  • Manter em ambientes com umidade entre 40% e 60% e temperatura entre 15°C e 25°C;
  • Manter em ambientes livres de contaminação por produtos de limpeza;
  • Usar produtos neutros. Preste atenção especial a produtos que contenham hipoclorito, vernizes, solventes e outros agentes contaminantes;
  • Papéis Hahnemühle e Canson são extremamente resistentes ao envelhecimento e oferecem a maior expectativa de vida se preservados adequadamente;
  • Para máxima permanência das impressões, expô-las sob vidro com proteção UV, de preferência padrão de museu;
  • Para maior proteção da obra, o proprietário deve se preocupar em preservar e manter o ambiente em que ela está localizada;
  • Manusear diretamente apenas com luvas de algodão;
  • Sempre segurar suas impressões com ambas as mãos (com luvas) para evitar criar vincos no papel.

A resistência à luz é uma propriedade de um corante, como tinta ou pigmento, que descreve sua resistência ao desbotamento quando exposto à luz.

Corantes e pigmentos são usados, por exemplo, para tingir tecidos, plásticos ou outros materiais e na fabricação de tintas ou tintas para impressão.

O desbotamento da cor é causado pelo impacto da radiação ultravioleta na estrutura química das moléculas que conferem a cor ao objeto. A parte de uma molécula responsável por sua cor é chamada de cromóforo.

A luz que encontra uma superfície pintada pode alterar ou romper as ligações químicas do pigmento, causando o desbotamento ou alteração das cores em um processo conhecido como fotodegradação.

Materiais que resistem a esse efeito são considerados resistentes à luz.

O espectro eletromagnético do sol contém comprimentos de onda desde ondas gama até ondas de rádio. A alta energia da radiação ultravioleta, em particular, acelera o desbotamento do corante.

A energia do fóton da radiação UVA, que não é absorvida pelo ozônio atmosférico, excede a energia de dissociação da ligação simples carbono-carbono, resultando na clivagem da ligação e no desbotamento da cor.

Corantes inorgânicos são considerados mais resistentes à luz do que corantes orgânicos.

Corantes pretos geralmente são considerados os mais resistentes à luz.

A resistência à luz é medida expondo uma amostra a uma fonte de luz por um período de tempo predefinido e, em seguida, comparando-a com uma amostra não exposta.

Eduardo Aigner, do estúdio LAB FINE ART DE PORTO ALEGRE, no sul do Brasil, fez um teste com essas duas impressões A4 em luz natural muito intensa. Metade de cada impressão coberta com papel preto espesso, diagonalmente. Sem vidro, sem verniz. Elas não receberam sol direto, mas com grande luminosidade. Após 4 anos, esse foi o resultado. Ambas impressas em Canon Lucia Pro. A de baixo: HFA Rag308g. A de cima: Canson 200g mate.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Por que a luz ultravioleta causa o desbotamento da cor?

O desbotamento das cores, tecnicamente conhecido como fotodegradação, está relacionado à composição química de um objeto. Esse processo envolve corpos coloridos que absorvem luz, chamados cromóforos, que estão presentes em corantes. As cores que vemos são baseadas nessas ligações químicas e nos comprimentos de onda específicos da luz que elas absorvem. Os raios ultravioleta (UV) são uma das principais causas de desbotamento porque podem quebrar essas ligações químicas, levando à perda de cor.

Outros contribuintes significativos para o desbotamento incluem a luz visível e o calor solar. Alguns objetos, como têxteis tingidos e aquarelas, são mais propensos a esse efeito de desbotamento. Em contraste, objetos que refletem mais luz tendem a ser menos suscetíveis ao desbotamento.

Infelizmente, o Brasil é um dos países que recebem mais luz UV; nossas principais cidades estão na costa atlântica, o que afeta a umidade e a temperatura, portanto, vivemos em condições agressivas.

Processos químicos

Durante o desbotamento, as moléculas de corante passam por vários processos químicos que resultam no desbotamento.

Quando um fóton UV reage com uma molécula que atua como corante, a molécula é excitada do estado fundamental para um estado excitado. A molécula excitada é altamente reativa e instável. Durante o retorno da molécula do estado excitado para o estado fundamental, o oxigênio triplete atmosférico reage com a molécula de corante para formar oxigênio singlete e radical superóxido de oxigênio.

O átomo de oxigênio e o radical superóxido resultantes da reação são ambos altamente reativos e capazes de destruir os corantes.

Fotólise

Fotólise, ou decomposição fotoquímica, é uma reação química onde o composto é quebrado pelos fótons. Essa decomposição ocorre quando um fóton de energia suficiente encontra uma ligação de molécula de corante com uma energia de dissociação adequada. A reação causa a clivagem homolítica no sistema cromofórico, resultando no desbotamento do corante.

Foto-oxidação

Foto-oxidação, ou oxidação fotoquímica. Uma molécula de corante, quando excitada por um fóton de energia suficiente, sofre um processo de oxidação. No processo, o sistema cromofórico da molécula de corante reage com o oxigênio atmosférico para formar um sistema não cromofórico, resultando em desbotamento. Corantes que contêm um grupo carbonílico como cromóforo são particularmente vulneráveis à oxidação.

Foto-redução

Foto-redução, ou redução fotoquímica. Uma molécula de corante com uma ligação dupla insaturada (típica de alcenos) ou ligação tripla (típica de alcinos) atuando como cromóforo sofre redução na presença de hidrogênio e fótons de energia suficiente, formando um sistema cromofórico saturado. A saturação reduz o comprimento do sistema cromofórico, resultando no desbotamento do corante.

Foto-sensibilização

Foto-sensibilização, ou sensibilização fotoquímica. Expor material celulósico tingido, como fibras de origem vegetal, à luz solar permite que os corantes removam hidrogênio da celulose, resultando em foto-redução no substrato celulósico. Simultaneamente, o corante sofrerá oxidação na presença do oxigênio atmosférico, resultando em foto-oxidação do corante. Esses processos resultam tanto no desbotamento do corante quanto na perda de resistência do substrato.

Foto-amolecimento

Foto-amolecimento, ou amolecimento fotoquímico. Como resultado da luz UV, o material do substrato fornece hidrogênio às moléculas de corante, reduzindo a molécula de corante. À medida que o hidrogênio é removido, o material sofre oxidação.

The Blue Wool Scale

A Blue Wool Scale é uma ferramenta crucial para medir e calibrar a permanência das tintas. Originalmente desenvolvido para a indústria têxtil, este teste foi adotado pela indústria gráfica para medir a resistência à luz dos corantes para tinta.

Desenvolvimento e Metodologia

A American Association of Textile Chemists and Colorists, em colaboração com o comitê ASTM D13, foi pioneira no desenvolvimento desses métodos de teste. O procedimento padrão envolve a criação de duas amostras idênticas de corante. Uma amostra é mantida no escuro como controle, enquanto a outra é exposta à luz solar simulada por um período de três meses.

Juntamente com a amostra de teste, um cartão padrão de teste de desbotamento de tecido de lã azul também é colocado sob as mesmas condições de luz. A quantidade de desbotamento observada na amostra de teste é então comparada com a cor original usando este cartão padrão.

Sistema de Avaliação

A Escala de Lã Azul avalia a resistência à cor em uma escala de 0 a 8. Essa classificação é determinada comparando o grau de desbotamento na amostra de teste com as oito tiras no cartão padrão de lã azul:

0: Resistência à cor extremamente ruim
8: Nenhuma alteração em relação à cor original, indicando excelente resistência à luz e permanência

Importância da Radiação UV

A radiação ultravioleta (UV) na luz é a principal causa do desbotamento das tintas. Como a intensidade UV varia conforme a localização, a taxa de desbotamento da tinta pode diferir significativamente. O método de teste da Escala de Lã Azul ajuda a padronizar essas variações, fornecendo valores relativos de desbotamento. Isso permite comparações consistentes, independentemente da intensidade da luz.

Por exemplo, se um pigmento é classificado como “BW5”, espera-se que desbote na mesma medida que a tira número 5 em um cartão de teste de lã azul sob uma exposição de luz específica. Esse método também possibilita testes acelerados sob iluminação artificial intensa, fornecendo resultados confiáveis mais rapidamente.

Em resumo, a Escala de Lã Azul é um método valioso para garantir a longevidade e qualidade dos corantes e tintas, tornando-a indispensável tanto para a indústria têxtil quanto para a gráfica.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Outro exemplo interessante que encontrei foram 2 fotos comparativas da Universidade Pública de Helsinque, na Finlândia.

Elas mostram a força devastadora da luz UV em cores não protegidas. Aliás, a umidade anual média em Helsinque, na Finlândia, é de 80%, assim como em Salvador, no nordeste do Brasil, também 80%.

Em outras palavras, estamos apenas comparando a ação da luz UV, sem levar em conta fatores externos como umidade ou poluentes.

Lado da placa voltado para o noroeste, onde as cores vermelha e amarela ainda podem ser claramente reconhecidas.

Lado de uma placa da Universidade de Ciências Aplicadas voltado para o sudeste, onde a luz solar direta impactando desde o amanhecer até a tarde desbotou as cores vermelha e amarela do logotipo da instituição.

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